domingo, 15 de janeiro de 2012

Viagem no túnel do tempo do cinema.

CASABLANCA

Podem eleger Cidadão Kane como o melhor filme de todos os tempos, mas ele não beira o carisma de Casablanca, lançado em cópia restaurada com extras.


Assisti de novo a esta película estadunidense, de 1942, do diretor Michael Curtiz – um craque em filmes de aventura -, estrelada por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Foi uma lição de história, porque remete à atmosfera de tensão e medo da 2ª Guerra Mundial. A cidade de Casablanca, então localizada no Marrocos, governada pela França de Vichy, era o penúltimo ponto na rota à América. Os refugiados que ali residiam necessitavam de um visto (Letter of transit) para Portugal e, apenas em Lisboa, embarcariam em um navio para o Novo Mundo.

Vale observar, na relação entre alemães e franceses, como o policial francês a todo custo procurava manter um bom relacionamento com os militares alemães. Entremeando esse clima político de guerra e sonho, transcorre uma história de amor, tipo triângulo amoroso.

Os perfis dos personagens são quase arquetípicos, uma miscelênea de estilos compõem os transeuntes de Casablanca, como o vilão cruel e requintado; o herói durão que despreza a namorada e zomba dos poderosos; a namorada virtuosa dividida entre apaixão e o compromisso; o contrabandista astucioso; o policial agradável e corrupto; o nazista com cara de Buldog; o marido traído (Paul Henreid tão elegante no papel de herói da resistência) e o assassino pussilânime (em breve e genial aparição de Peter Lorre).

Humphrey Bogart é um sedutor de frases agudas e Ingrid irradia sua beleza juvenil. A trilha sonora conta com a canção As Time Goes By e há frases que ficaram para a memoria: “Foram tiros de canhão ou meu coração batendo”, “Prendam os suspeitos habituais” (rá-rá-rá),“Nossos problemas são pequenos nesse mundo louco”...


Pensaram que Casablanca seria sucesso apenas nos tempos de guerra, uma época em que ser fumante e beberrão era uma questão de classe; erraram porque é ainda hoje um dos filmes mais amados pelos cinéfilos do mundo todo.

Por Lilian Angelotti

Curiosidade: Procurei fotos para enfeitar esta matéria e pasmem há inúmeras da Ingrid Berman com o Humphrey Bogart (seu amante no filme), nenhumazinha com o marido, que  representou um herói da resistência.

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